terça-feira, 23 de agosto de 2011 | 17:39 | 13 Comentários

O que acontecerá com @s filh@s de casais “diferentes”?

Não sei o que acontecerá com crianças que serão criadas por casais LGBT, eu sei o que já está acontecendo! A criança criada por pais homossexuais ou transgêneros aprende desde cedo, que é tudo muito natural e, claro a relação com seus pais e/ou mães assim também o é. É a família que ela conhece e ama. Ela não julga, não acha errado, não vê coisa alguma de mais (nem de menos!). Ela tem orgulho del@s e assim é feliz. É como quando temos um pai e uma mãe heterossexuais. E mesmo quem não é filho de casais homossexuais, mas tem um tio, uma tia ou amig@s da família, cresce refletindo sobre a diversidade. Quando pessoinhas desagradáveis – para dizer o mínimo - dizem que a mãe é sapatão e o pai é viado, apontando isso como um demérito, como uma falha, como uma aberração, os pais normalmente explicam tudo direitinho – que o problema é dos outros! – e avisam e preparam os filhos para o que eles vão enfrentar. E quem, na infância ou na adolescência, nunca sofreu pelos amigos dizerem coisas horríveis, inclusive sobre nossos pais? Tudo depende de como somos preparados para o enfrentamento e de como nossos pais nos apóiam. E isso serve para qualquer constituição familiar.

Há apenas algumas décadas havia um grande alarde sobre como filhos de casais inter-raciais enfrentariam tal situação e que este seria um problema imenso. E, então, claro, os conservadores – novamente para dizer o mínimo – de plantão, logo se arvoravam de defensores de todas as crianças do mundo e se posicionavam contra relações inter-raciais. Imagine, então, uma criança negra filha de pais brancos ou uma criança branca filha de pais negros?! Isso seria, certamente, traumático para a criança. Como adultos iriam impor isso a criaturas tão indefesas e que não escolheram isso?! Foram os pais que traçaram tal destino para a pobre criança (Como se todos nós escolhêssemos os pais que queremos ter e jamais sofrêssemos agressões por causa deles e das mais variadas – pais gordos, pais velhos, pais baixos, pais carecas e mais uma infinidade de bobagens). Mas, claro, tais autointitulados baluartes da família “natural” não eram racistas, pensavam somente no bem da criança! Exatamente como fazem agora: eles não têm nada contra os LGBTs, preocupam-se somente com as criancinhas do Brasil. Por isso nos tratam tão bem, com tanto respeito e consideração, a questão é somente a criança. Ora, basta olhar para o que houve nestes anos. Claro que houve agressões por questões de racismo e, ainda hoje, por mais absurdo que seja, ainda acontece, mas todos vão muito bem, obrigada.

Aqui na cidade do Rio de Janeiro, há escolas em que dependendo se é dia dos pais ou das mães, os alunos levam dois ou nenhum presente para casa. Simples assim. Sem traumas. Ninguém morre ou surta por isso. Na reunião de pais, revezam dois homens ou duas mulheres. Ao chegarem à escola, estes alunos são deixados por seus pais e/ou suas mães, todos sabem quem é quem e todos convivem muito bem, harmoniosamente e às claras. E há muito mais acontecendo neste sentido do que alguns imaginam e acontece assim, desta forma tranquila e agora, em nossos dias. Acho que esta discussão, inclusive, já deveria ter sido superada, pois todos sabem – exceto se a criatura tiver passado as últimas décadas em uma caverna no aconchego do centro da Terra! - que o casal não determina a sexualidade da criança e que o fato da constituição familiar não estar alinhada aos moldes conservadores, não impede um lar amoroso e uma vida saudável. Devemos, portanto, lutar contra as possíveis discriminações e nunca – jamais! – permitir o impedimento ao amor, ao afeto, à família. E por isso devemos nos unir e lutar cotidianamente: por nosso direito à felicidade, não somente a minha e a sua, mas a de cada um de nós tão diferentes e tão iguais em desejos.
@ivonepita


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13 comentários:

Wagner Nunes disse...

Parabéns Ivone, adorei o texto muito esclarecedor. Meu caso é um pouco “diferente” Eu sou gay minha mãe é lésbica e o maior problema na minha vida foi e é ter que ficar explicando a terceiros que minha sexualidade nada tem a ver com a orientação sexual da minha mãe, isso cansa e hoje em dia não perco meu tempo para dar explicações a quem não quer considerar os fatos, se quiserem pensar que minha casa é um antro de promiscuidade que pensem, mal sabem que minha mãe é um tanto quanto conservadora, (rsrs) mas não quero aceitação, quero respeito é isso que importa ne? Beijos.

Åsa Heuser - Uma ateia de bom humor disse...

Ótimo texto!

Betta Castro disse...

Parabéns Ivone, muito bom mesmo!

luciana disse...

Oi Ivone! Ficou ótimo! Quem mais precisará se preparar para enfrentar esta situação é a própria sociedade hetero. As crianças - se as deixarem ser naturais, autênticas e não as contaminarem com preconceitos - tirarão de letra.
"Ela não julga, não acha errado, não vê coisa alguma de mais (nem de menos!)"

bj e parabéns! =)

Rômulo disse...

Excelente texto Ivone... Disse tudo...

alessandrols disse...

Ivone, mais uma vez, você foi brilhante. A sua sensibilidade é o que mais me toca. Mas, a luta pela adoção por casais LGBT está longe de terminar, e os motivos são trágicos. Explico: todos assistimos uma decomposição familiar, como dizem, em que casos de violência física, como tortura, estupros, assédio moral contra crianças. E, infelizmente, esta chaga social, com certeza, sempre será associada também à adoção de crianças por casais homossexuais. Os reacionários se perguntam: diante uma flagrante "crise da família",como um casal gay pode criar uma criança? Esta criança será gay, delinquente ou pervertida? Todos sabemos que os conservadores associam pedofilia ao homossexualismo. E pior, no primeiro escândalo envolvendo uma possível agressão de um casal homossexual à uma crianç adotada, o mundo vai cair. Isso pode acontecer, pode. Afinal, somos todos humanos e, portanto, plenamente falíveis. É injusto casais LGBT terem de ser pais mais perfeitos que os outros porque sofrem um policiamento social muito maior. Seja como for, a luta dever ir adiante.As injustiças permaneceram por muito tempo. Mas pessoas como você, Ivone, está aqui para dizer que este mundo está errado. Menina danada, continue em frente e conto com meu apoio canino. Beijos apaixonados.

@sapa_tilha disse...

Perfeito o texto!
Sabe, um casal homossexual luta tanto pra ter uma criança. Ela nunca será concebida por descuido ou porque a camisinha furou. Então o casal deseja tanto esse filho que não há nenhuma dúvida de que essa será a criança mais bem tratada do mundo!
Não há barreiras para o amor.

JUNIOR INTSP disse...

Parabéns querida... Perfeita matéria... Um beijo bem grande...

ARNEY disse...

Ivone Falta colocar no Estatuto da Diversidade Sexual, a questão da paternidade/maternidade SEM A CONCEPÇÂO MACHISTA ATUAL. É IMPRESCINDIVEL que em toda separação, como regra art 27, a guarda dos filhos seja COmpartilhada e a discussão de alimentos seja NEGOCIADA e não determinada acima das possibilidades das pessoas como é hoje (prevendo dificuldades financeiras, desemprego etc , licenças, seguro pensão, e fim de prisão por incapacidade economica (a prisão só deve continuar para abandono de filho, transitado em julgado) e mais regalias para os pais.
‎(Afinal serão dois pais ou duas mães, que necessariamente deve levar em conta uma BEM MAIS AMPLA divisão de custos e tempo dos filhos e por isso, NÂO PODEMOS MAIS CONTINUAR COM O MODELO MACHISTA ATUAL).

Outra URGENCIA, com isso é a mudança na Lei Maria da Penha, retirando a palavra "mulher" OU, por outro lado, criando uma Lei de proteção contra a Violencia Domestica contra os Homens. para que se equipare essa questão. Pois como disse, serão um casal de homens e um casal de mulheres. Essa lei defende TEXTUALMENTE somente mulheres (embora haja aplicaçoes discutiveis e polemicas) o que num matrimonio homoafetivo sai totalmente da logica...Afinal num casamento de mulheres as duas irão acionar a lei maria da penha uma contra a outra e num casamento de homens NENHUM DOS DOIS poderá acionar a Maria da Penha....

Afinal, igualdade é igualdade... É URGENTE que a paternidade seja obrigatoriamente dividida, INDEPENDENTE das condições economicas, mas ao contrario com os privilégios, direitos e proteções (como emprego etc) TAMBÈM para homens pais NÃO SO HOMOSSEXUAIS È CLARO Pois senão entraria em contradição com o proprio estatuto...

Alyxandra Gomes disse...

Ivone, que texto belo, sarcástico um pouco e mais importante: informativo e esclarecedor. Me fez lembrar de um filme com o Will Smith [salvo engano] em que ele não podia dar um presente ao filho no Natal, e TODOS os seus amigos fizeram-no pensar que ele era um pai menor, ou menos pai, por não poder dar um presente bem caro ao seu filho no Natal, aquele mesmo natal que conhecemos, que perdeu o cunho religioso e se rendeu ao consumismo [por sinal, uma nova religião], olha que eu não sou religiosa, mas sei diferenciar o que é essencial do que não é. Essas crianças terão o essencial: uma família e pais que a amam, e isso independe de serem hetero ou homossexuais. Aliás, com tantas famílias com pais heteros, vejam quantos filhos matando pai e mãe por herança ou quaisquer motivos fúteis. Enfim, é um debate que nunca acaba.

Parabéns de novo.

Alyxandra Gomes Nunes

MT disse...

Olá, Ivone!

Muito bom o texto!!

Passadas na Areia disse...

Ivone, adorei o seu texto! Acho que a luta deve continuar. E ter o seu blog é um presente para muitos "casais".
Um bj enorme em seu coração

Carlos Suhan disse...

Ivone, estamos chegando lá, pelo menos no que diz respeito a regularização em lei. Otimo texto.
"A Constituição de 1988 deu uma nova fase ao direito de família, reconhecendo que os núcleos multifacetados são famílias e merecem proteção do Estado. Sem ressalvas, sem poréns sobre a forma de como deve ser essa família"
Ministro Luís Felipe Salomão