quinta-feira, 4 de agosto de 2011 | 15:20 | 5 Comentários

Por que ser gay?

O que restou ao homem entre a angústia e a ansiedade? Agora que o Cristo está morto – não volta, não voltou – o que fazer? Resta lutar contra a alma, adotar a luta do corpo, pelo corpo.  A nova causa para a rebeldia é a sua essência. Sê gay! Essa é a nova esperança e causa depois das guerras!?

É a autêntica liberdade da impositiva burguesa patriarcal. É uma possibilidade para a falta de entendimento do real compromisso com uma verdade relativa. “Eu não tenho mais por que gostar de bola, coçar o saco, ser provedor de uma família tradicional e já posso casar como quero!” Há uma antítese para os padrões que fundamentaram o homem ao longo dos séculos.

Se a preocupação é com o futuro, com ser o que não se poderia ser;  estar gay parece ser um solução para o cartesianismo da teleologia. Seria? Tudo parece o mesmo, o tempo todo. Mas SER gay é um estado diferente. Seria uma tautologia para uma tendência existencialista? Na dúvida subsiste uma esperança.

A percepção é de uma sensibilidade ambivalente: o poder da reprodução e o poder da contenção. Mas não apenas o risco existe, tem também a libido. E o que é isso de SER – não estar – gay realmente?

Há contra o que lutar? A homofobia é uma luta justa, uma bandeira a ser levantada contra os radicais – que ecoam a suposta ira de Deus.  Existe o discurso da paz, do respeito, da cidadania. Nunca antes democratizamos tanto e ensinamos tanto a usar essas palavras. Lutamos contra esse ódio em nome de Cristo, essa marcha em torno da ira. Temos uma luta contra o convencionalismo operante que oprime, segmenta, seleciona e certifica o maniqueísmo alienante. Desde que somos livres, podemos não ser os mesmos a cada dia; desde Focault “é chato ser o mesmo sempre.”  Mas existe um fundamento contingente que dá identidade e corpo.

Então, o que é reforma agrária hoje em dia? O que é luta de classe? O que é independência e colonialismo? Ainda há lutas para que se lutar (que não a da fome)?

Eu tenho uma e espero que daqui a alguns anos eu possa relembrar dos destroços e relíquias da guerra. A pior guerra é aquela que travamos internamente. Eu já venci a minha. E se se pode dizer : sê homem menino; pode-se também dizer: sê gay homem!


Roberto Muniz Dias " Escritor"
http://noposthumousparty.wordpress.com


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5 comentários:

. disse...

muUUito bom!! gostei muUUito msm.. =)

Anônimo disse...

Apesar de deus / arranhos em Marx, achei lindão / inovador.

Não consigo é ouvir mais as mesmices sobre o segmento - tanto dos metafísicos quanto dos físicos antigos.

Em meu livro ( tb. sou escritor e gay)" Mutação e criação-além do arco - íris"/Editora Litteris/ Juão Tavares, tb. faço novas incursões afirmativas sobre o segmento homo.

- Interligo-o aos grandes movimentos (aos quais chamo mutação) atuais de Gaia.

- Afirmo que ser gay é subverter tudo e todos, mesmo sem levantar bandeira alguma, só sendo.

- E que tb. é uma condição bio - histórica adequada e em expansao / atualização /inclusão na dita sanidade da sociedade abrangente.

- Considero que é uma das formas da natureza, "controlar / estancar " a população que já chega aos 7 bi - insustentável, mesmo socializando.

- Os homo transam como todos,mas não são compulsivos na reprodução, embora possam, hoje em dia, exerce-la de várias formas.

- Enfim,ser homo é tb. ser natureza / sanidade / indicaçao de novos modos de ser / produzir e criar.

No meu face tem mais informações.

Obrigado.
agosto / 2011

Bjaí
Juão Tavares

Cindy Butterfly disse...

Para mim, ser gay e assumir plenamente este estado foi e é a experiência mais libertadora que pode existir pra mim...

Já não tenho mais o receio: "o que vão pensar?". Agora sei exatamente o que podem estar pensando e não sou a menor importância. Sou o eu, o meu verdadeiro eu que importa e viver feliz é uma condição que impuz a mim mesma.

Assim, ser gay é algo que transcede minha experiência meramente humana e toca em minha alma e me conecta com o que entendemos de fonte criadora, conhecida como Deus.

Sou e estou gay! Sou e estou feliz! Sou e estou liberto em ser quem sou!!!

Roberto, arrasou!!! Achei digno...

Allee Klein disse...

ahazzo NOTA 10 :D

Jose disse...

É como se fosse uma luta pelo aprofundamento da democracia.Nesses tempos de ressurgimento de extremismos nada mais saudavel.