segunda-feira, 5 de setembro de 2011 | 16:52 | 6 Comentários

ADOÇÃO POR CASAIS GAYS


Luciana Mendonça

Qual o mal que um casal gay pode fazer a uma criança? Eu digo, o mesmo que um casal hetero. Partindo do fato de que uma criança necessita basicamente de afeto e segurança - principalmente no seu primeiro ano de vida - qualquer um (ou dois) que se proponha a dedicar-se a um bebê ou a uma criança, colocando-se a sua disposição de forma empática, amorosa e continua será capaz de proporcionar-lhe condições de desenvolvimento.

Uma onda de abandonos e infanticídios vem ocorrendo no país e vejo abismada que existem pessoas que não somente não concordam com a adoção por gays, como mobilizam-se contra. Estas pessoas estão preocupadas com o futuro das crianças? Elas acreditam que sim, mas na verdade, estão preocupadas com elas mesmas. Preocupadas com o rumo que as coisas vêm tomando, com a legalização do casamento gay, com o crescimento das paradas LGBT, com os direitos enfim que os homossexuais vêm conquistando. Estas pessoas temem que de direito em direito os gays acabem tornando-se (imagine!!!) iguais aos heteros. "E se isto acontecer?! E se este mal acabar invadindo as nossas casas?! E se nossos filhos começarem a achar que ser gay é normal? Ah, não!" Então, estas pessoas são contrárias a qualquer lei que favoreça a vida do homossexual. Para elas, ele, se não pode deixar de existir deve ficar ali, quietinho, escondido e recluso.

Ora, ora! Não vamos projetar nossos medos nos outros e tentar impedir o desenvolvimento da sociedade! O que está em jogo na adoção feita por homossexuais é o bem-estar da criança! Nenhuma adoção é concedida sem análise anterior do casal, mas o que será analisado independe da orientação sexual deste. E esta análise, que inclui condições materiais, mentais e emocionais, deveria ser obrigatória para os casais heteros também.
Ou não vemos diariamente (sem falar dos casos não notificados) seus filhos sofrendo violência física, sexual, negligência, abandono e até de assassinato? Que dizer dos pais que surram seus filhos deixando-os cobertos de hematomas ou mesmo fazendo-os sangrar? Que dizer dos que os xingam de todos os nomes e os tratam como vermes inúteis, descontanto neles as suas frustrações? Dos que jogam água quente nos pequenos e dos que fazem sexo com eles? Dos que todos os dias aterrorizam seus filhos com a sua chegada em casa, quase sempre acompanhada de bebedeira e muita pancadaria. Dos que espancam a mulher na presença dos filhos?Dos que matam a mãe de seus filhos nas suas presenças? Dos que nunca estão em casa, pois têm sempre um happy hour pra ir depois do trabalho? Dos que nunca foram à escola do filho, nem celebraram o seu aniverário? Das mães que pagam quanto podem para que terceiros (babá, creche, escola, hotelzinho) mantenham seu filho longe dela?

Sim! Tudo isto dentro de famílias tradicionais. Pai, mãe, filhos. O modelo salutar para uma criança? Não é o que tenho visto. Pais que tenham aceitação, respeito, afeto e disponibilidade por seu(s) filho(s) isto é salutar. John Bowlby, falando sobre pré-requisitos para a adoção em seu livro, Cuidados Maternos e Saúde Mental, diz que a respeito dos pais adotivos " o importante é saber como eles reagiriam diante de uma decepção; e se poderiam, ainda assim, funcionar como pais afetuosos, satisfeitos em sua parentalidade. (...) é vital que os pais estejam preparados para aceitar uma criança quer ela possa, quer não possa, atender suas expectativas e desejos". Ou seja, o que interessa para um bom desenvolvimento infantil não é definitivamente a orientação sexual de seus pais!

A pouco tempo, a deputada Myrian Rios declarou que gostaria de ter o direito de não ter empregados homossexuais, pois eles poderiam cometar "pedofilia" contra seus filhos. Este é também o declarado receio de alguns: que os pais gays abusem de seus filhos como os pedófilos fazem. Mas, uma pesquisa realizada pelo Hospital das Clínicas de SP,também recente, afirmou que a maioria dos casos de abuso sexual contra
crianças era feito pelo próprio pai ou padastro! ( http://www.carinhodeverdade.org.br/releases/ler/358 ) e
uma outra,realizada pelo Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo) concluiu que "a criação e educação de crianças por casais gays não causa perda psicológica nos filhos – a função psíquica materna e paterna pode ser exercida por duas pessoas do mesmo sexo". Então, diante disto tudo penso que os heteros estão se julgando muito mais do que o que realmente são. Nós não estamos com esta bola toda e precisamos dar um freio neste narcisismo!

Termino este post por aqui e, acho que é redundate dizer que sou bem a favor da adoção por homossexuais. Será um favor que eles farão aos casais heteros que abandonam seus filhos ou que os perdem judicialmente por maus tratos e negligência. Eles ficarão lhe devendo essa.

Obrigada pela leitura. Melhor ainda se comentar =)
Abços, Luciana Mendonça.



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6 comentários:

Leandro - |Paranaguá/PR disse...

Parabéns Luciana, muito, muito bom mesmo seu texto!

Joana disse...

Adorei seu artigo, excelente!

luciana disse...

Obrigada Leandro e Joana! Fico feliz demais q tenham gostado. Luciana

Yon Muniz disse...

Bom, sou suspeito em falar, mas acho seu texto fabuloso!

Anônimo disse...

Bem, eu vejo um mal sim, Não generalizando, mas devemos a partir de agora acostumarmos a ler noticias como esta a seguir:
Primeiro como Thomas, agora como Tammy.

Com direito a tratamento à base de hormônios, o menino Thomas Lobel, da Califórnia, está mudando de sexo e vem causando polêmica. Ele, que tem 11 anos e é filho de um casal de lésbicas, iniciou o processo aos 8 anos de idade.

As mães do menino, que agora se chama Tammy, defendem a decisão do garoto, alegando que era melhor iniciar o processo de mudança de sexo já na infância, pois na puberdade tudo seria mais complicado e, nesse período, o número de suicidas com transtorno de identidade é muito maior.

Segundo Pauline Moreno e Debra Lobel, uma das primeiras coisas que Tammy aprendeu a falar foi “Sou uma menina”. Outro fator decisivo para o incentivo das mães foi o fato de aos 7 anos ele ameaçou mutilar o próprio órgão sexual. Foi aí que o transtorno de gêneros foi diagnosticado e no ano seguinte iniciaram a medicação - implantada em seu braço esquerdo e que impedirá o desenvolvimento de ombros largos, voz grave e pelos faciais no menino.

Segundo informações do Daily Mail, o tratamento hormonal permitirá à Tammy ter tempo de decidir se é isso mesmo o que quer. Caso decida parar de tomar a medicação, será possível passar pela puberdade como um garoto normalmente, sem, inclusive, afetar a sua fertilidade. Mas ao resolver se tornar uma mulher definitivamente, os remédios ajudarão no desenvolvimento de características físicas femininas, como o crescimento de seios.

Thalita disse...

Excelente texto! Mesmo não sendo homossexual aprovo totalmente a ideia de crianças serem adotadas por dois homens ou duas mulheres, principalmente se pensamos: Por que esta criança estava em situação de adoção? A resposta é clara, porque seus pais verdadeiros não quiseram ou não tiveram condições de cria-lo. Então porque negar a esta criança a convivência com pessoas que poderiam dar amor, segurança, carinho.... um lar!