segunda-feira, 12 de dezembro de 2011 | 23:49 | 3 Comentários

Meu filho, não!

Claudia Leite (Foto: Google Imagens)
Meu filho não! Frase curta, que diz tanto. Pequena, mas letal. E foi assim que Claudia Leitte se ferrou. Ao ser entrevistada pelo Léo Áquila (transformista), Claudinha me lança essa pérola ao responder à pergunta sobre a possibilidade de seu filho ser gay. Falou merda? Claro! Mas, não é algo que toda mãe fala? É! E isso torna a resposta menos absurda? Não! Qualquer pessoa que fale que prefere ter um filho “macho” é preconceituosa, simples assim. Podem inventar milhões de desculpas para seu preconceito, mas continuam sendo.

Por incrível que pareça, não fiquei puto, não quis esganá-la, não pensei, em nenhum segundo, tentar mudar sua opinião sobre gays, mas tomei uma decisão. Tolerância zero! Mesmo que acabe sem amigos, conhecidos, parentes, ou o que for, vou me afastar de todos que pensem igual. Há muitos anos atrás já tive essa mesma discussão com a melhor amiga de um ex-namorado. Ela se dizia super moderna, avançada e sem preconceitos, mas ao ser confrontada com a tão inesperada pergunta, feita, obviamente, por mim, sobre o que ela acharia se seu filho fosse gay, respondeu:

- Ahhh! Eu não gostaria que ele fosse.

Pronto! Lancei na lata:

- Você é preconceituosa!
E é! Não adianta tentar sair pela tangente. Mas, é claro, que ela tentou. Usou a classica resposta:

- Não gostaria que meu filho sofresse.

Porra! Se você não quer que seu filho sofra, não faça pressão para nenhum lado sobre a sua sexualidade. Não incentive a heterosexualidade e muito menos torça por ela. Só o fato de você a desejar já causa um tormento enorme em uma criança. Principalmente se ela tiver NASCIDO gay, pois todos sabemos o quão sensíveis nós somos. É uma crueldade o que essas mães e pais fazem, ao afirmar com tamanha veemência, que seus filhos não serão gays de jeito algum. São pressões familiares, como essas, que engordam as estatísticas de suicídio gay infantil. Mas também, né? Queriam o quê? Qual criança aguenta tamanha pressão? Poucas! Muitas ficam tão traumatizadas que passam uma vida inteira mentindo, acorrentadas a falsos casamentos heterosexuais. Isso quando não se matam. São traumas que podem ser evitados com a simples conscientização de que um filho é sempre uma alegria, não importando se é gay ou não. A Claudinha deu mole, primeiro negou ter um publico gay que a apoia, e depois, esqueceu que até fez um clip com o Ricky Martin, vinculando ainda mais seu laço com a comunicade gay. Pior é ela falar isso em rede nacional, na televisão, para quem quiser ouvir. Será que ela quer criar um futuro BOSTAnaro? Quantos pais, de filhos gays, vão se sentir no direito de chacoalhar seus filhos, e até meterem a PORRADA, agora, com o aval de uma cantora famosa? Perdeu uma ótima chance de ficar calada, essa aí.

Não vejo uma mudança comportamental dessas mães desde a primeira vez que confrontei aquela amiga do meu ex até hoje, e não vejo nenhuma tendência para isso. Infelizmente. Mães ao redor do mundo vão continuar falando que querem filhos “machos”, e mães ao redor do mundo, também, continuarão tendo filhos gays, e nossas crianças gays CONTINUARÃO se matando por medo de não conseguirem realizar as expectativas de seus pais preconceituosos.


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3 comentários:

Renata Valente disse...

Bom! a mãe quando têm um filho, diz, é menino ou menina? isso esta correto, agora se ele for gay, isso não é problema, pois ele nasceu com esta natureza, seja menino ou menina, meu filho é menino, eduquei ele como educo menina, minha filha, e como educaria qualquer filho independente de seu sexo, pois valores não têm haver com a sexualidade, valores têm haver com formação, dignidade, respeito. O sexo menino ou menina, vem naturalmente, seja homossexual, bi sexual, transsexual, travesti, trangênero etc..não têm haver com educação, não esta correto que todas mães pensam desta maneira.

Anônimo disse...

"Mas, não é algo que toda mãe fala? É!"

Desculpe, não é. Fiquei com a sensação de que não importa minha postura, quando me tornar mãe (e eu sou), ela mudará. Ser mãe não é ser necessariamente preconceituosa, machista e homofóbica.

Li o texto até o fim, concordo e compreendo as tuas colocações, mas não gostei de ser apontada (enqto mãe), sem que houvesse qlq problematização a respeito, como uma homofóbica.

É preciso tomar cuidado com as generalizações apressadas.

Mônica K.

Feeh disse...

Bom, eu sempre falo, vou educar meu filhO para ser um meninO e minha filhA para ser uma meninA, agora se eles querem namorar alguem do mesmo sexo, serão muito bem incentivados a trazer o namorado (a) em casa, a sair junto e a casar. Mas até então irei educá-los como o sexo (refiro ao masculino e feminino) condiz. (:
Sou 100% a FAVOR do casamento/relacionamento e liberdade LGBT.
Dizem que os 'gays' estao confundindo liberdade com libertinagem, agora me diz, porque um homem pode agarrar uma mulher no meio da praça e um casal 'gay' não pode? isso é libertinagem? Não. É preconceito da sociedade. e não gosto de chamar os 'gays' de 'gays', gosto de tratá-los como qualquer pessoa normal, sem definir nada, porque afinal, viemos a esse mundo da mesma forma e iremos dele do mesmo jeito.